Com discurso de Neto e Romário, Senado discute tragédia da Chapecoense e marca nova reunião

Publicado em: 17/08/2019 às 08h00

Gazeta Esportiva

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Audiência no Senado discutiu atrasos no pagamento dos seguros na tragédia da Chapecoense

Depois da audiência no Senado Federal, na última quinta-feira, para buscar soluções para a falta de pagamento dos seguros aos familiares da tragédia da Chapecoense foi confirmado um novo encontro entre senadores para a próxima terça-feira (20), em que estarão presentes o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça Sérgio Moro.

Na última quinta, o Senado recebeu representantes dos parentes das vítimas da tragédia, além do sobrevivente Neto, Alex Stovold, advogado da seguradora Clyde & Co, e representante da Lamia, que participou por vídeo-conferência.

O jogador Neto, sobrevivente da tragédia, fez um discurso emocionado, cobrando esclarecimentos e destacando o sofrimento das famílias.

Quem também concedeu uma fala forte durante a audiência foi o ex-jogador e agora senador Romário, que proferiu palavras duras direcionadas a Alex Stovold.

“Isso aqui não é brincadeira, nem circo. Nunca ajudou em porra nenhuma, o que você esta fazendo aqui. É dissimulado e surdo. Isso não é justo o que as famílias estão passando. Elas precisam receber. Nós juntos temos que interceder ao governo, uma solução precisa feita. Desculpa a palavra, mas é 171”, disse.

Romário já havia reiterado um pedido para que o presidente Jair Bolsonaro também fosse envolvido na discussão.

“Precisamos envolver o governo na causa e tratarmos deste tema diretamente com o presidente Bolsonaro. A última esperança das 67 famílias que perderam seus entes queridos é o governo brasileiro. Elas precisam de ajuda e tenho certeza que o presidente vai entender”, pediu Romário.

Relembre como aconteceu o acidente

Na madrugada do dia 29 de novembro de 2016, terça-feira, a comissão técnica e jogadores da Chapecoense viajaram do Brasil para a Colômbia para jogar a primeira partida da Final da Copa Sul-Americana daquele ano. Com falta de combustível, o avião caiu quando estava perto de chegar ao destino, resultando na morte de 71 pessoas e seis feridos.

 

Dos sobreviventes, três eram do elenco de jogadores da Chapecoense: o defensor Alan Ruschel, o goleiro Jackson Follmann e o zagueiro Neto. Os outros que conseguiram sobreviver foram o jornalista brasileiro Rafael Henzel e os comissários de bordo Erwin Tumiri e Ximena Suarez.

Após o acidente, a partida da final da Copa Sul-Americana foi adiada. Como forma de reconhecimento e condolência ao acidente, o Atlético Nacional pediu à Conmebol que o título ficasse para o clube catarinense, com forma de homenagear a equipe brasileira.

 
 

“Perdi muitos amigos extremamente queridos, que me fizeram melhorar enquanto jogador e, mais do que isso, enquanto ser humano. Éramos de fato um grupo muito unido, éramos amigos fora do campo, nossas famílias se encontravam nos momentos de folga, nossos filhos eram amigos uns dos outros. Só Deus sabe o que eu e minha família já sofremos desde essa tragédia. O que dói tanto quanto a tragédia é a impunidade. Que o Brasil não seja de novo o país da impunidade, não aguento mais ver nosso país assim”, disse o jogador.